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A MAGIA DO VERDE NAS RUAS, AVENIDAS
E JARDINS DE MAPUTO
A cidade capital de Moçambique, antes chamada de Lourenço Marques e depois Maputo, foi sempre muito elogiada pelos visitantes devido à sua beleza. Prédios bonitos e um traçado rectilínio, com as ruas, avenidas, praças e jardins revestidas de árvores frondosas, são as características principais que atraem a atenção, mas também a sua localização sobranceira à grande baía do Espírito Santo a tornam admirável do ponto de vista paisagístico sobretudo quando olhada à distância por quem chega pelo mar ou mesmo de avião.
Durante todo o ano as árvores conservam o verde das folhas, cuja tonalidade varia consoante as respectivas espécies. Acácias (vermelhas e amarelas), jacarandás, figueiras bravas e da Índia, carvalhos de prata, árvores da borracha, palmeiras e outras espécies, tornam esta cidade um autêntico jardim que mereceu em tempos o título de "Pérola do Índico".
Na época que atravessamos a maioria dessas árvores está em flôr, destacando-se as acácias vermelhas e as jacarandás, que contrastam entre si pela diferença tão flagrante das tonalidades roxa e vermelha das suas flôres e que emprestam às grandes avenidas e ruas uma beleza ímpar.
Há também em Maputo, sobretudo na parte alta onde as moradias têm jardim, o culto pelas flôres, árvores e arbustos, como sejam os célebres frangipanis (roxos, amarelos e rosas), pelas aurocárias (esguias e altas), pelas mangueiras e um sem número de espécies de menor porte, incluindo silvestres como as bonitas cicadáceas.
É um regalo desfrutar das sombras das grandes copas verdes que cobrem praticamente os sete quilómetros da avenida 24 de Julho e de outras ruas e avenidas da capital. Mas também admirar a beleza do jardim Tunduro (outrora Vasco da Gama), onde se encontram muitas espécies raras vindas do Oriente durante a época colonial.
Numa ronda que hoje mesmo fiz pelas principais artérias, recolhi imagens que me apresso a divulgar pela oportunidade, já que estamos na época de Natal e quero acompanhar o meu amigo Chico Ivo que há poucos dias publicou fotos muito bonitas na comunidade da Beira, relativas às acácias vermelhas, chamadas de "Árvores de Natal".
Um abraço de muita amizade por quem tem a paciência de ler estas "Cartas".
Um Feliz Natal para todos!
Maputo, 21 de Dezembro de 2004
Escrito por Jose Bentes às 13h02
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QUISERA
Senhor, neste Natal armar uma árvore e nela pendurar, em vez de bolas, os nomes de todos os meus amigos. Os amigos de longe, de perto. Os antigos e os mais recentes. Os que vejo a cada dia e os que raramente encontro. Os sempre lembrados e os que às vezes ficam esquecidos. Os constantes e os intermitentes. Das horas difíceis e os das horas alegres. Os que, sem querer eu magoei, ou sem querer me magoaram. Aqueles a quem conheço profundamente e aqueles de quem conheço apenas a aparência. Os que me devem e aqueles a quem muito devo. Meus amigos humildes e meus amigos importantes. Os nomes de todos os que já passaram pela minha vida. Uma árvore de raízes muito profundas para que seus nomes nunca sejam arrancados do meu coração. De ramos muito extensos para que novos nomes vindos De todas as partes venham juntar-se aos existentes. Uma árvore de sombra muito agradáveis para que nossa amizade, seja um momento de Repouso nas lutas da vida. Que o Natal esteja vivo em cada dia do ano que se inicia para que possamos juntos viver o amor !!
(Autor desconhecido)
Escrito por Jose Bentes às 08h32
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Bom recordar! ... e, recordar Gouvea Lemos, em época de Natal, num artigo escrito em 1957 intitulado "Natal" é avivar memórias de Gouvea Lemos em vós, nós e outros. Xi coraçao para todos voces, Ana - uma amiga do grupo do MSN Moçambique de ontem & hoje
NATAL - 1957
Para lá e para cá da Cortina de Ferro, o dia 25 de Dezembro é o Dia de Natal. Até o roliço e reinadio Nikita, com o ar de camponês abastado e contador de anedotas, há-de beber alegremente um bom vodka e renovará os votos habituais de paz e desarmamento, à mistura com umas graças pesadas sobre os países capitalistas. As agências ocidentais noticiarão, mais tarde, que certos círculos chegados ao Kremlim insinuaram que o sr. Kruschev estava etilisado. Serão, de certo, os mesmos círculos que, depois da morte de Staline, anunciaram ter sido constatado um endurecimento muscular do seu coração e daí tirarem definitivas conclusões morais... O simpático Eisenhower, com o aspecto feliz de quem chegou das manobras e despiu a farda, há-de ser fotografado para o Mundo inteiro, com os netos nos joelhos, com a Mamie à sua direita, o filho e a nora, sorridentes, atrás. Tudo à sua volta, verificando a Humanidade, embevecida, que assim vive o chefe de uma grande nação democrática. E enquanto os chefes de governo europeus, que participaram da última conferência da NATO, hão-de celebrar com as suas ilustres famílias a vitória colectiva, que se diz terem alcançado - não contra o inimigo e sim contra o aliado, o que se torna um pouco difícil de entender -, o que se celebra, na verdade, é, simplesmente, o nascimento de um Homem pobre mas estranho. Tão estranho, que era Deus. E há-de haver um momento - tem de haver - em que todos esses personagens importantes ficarão a sós com os seus pensamentos, se alhearão de tudo o que se passar à sua volta e hão-de meditar um pouco sobre o dia que vivemos. O depurador Kruschev pensará como é vária e inconstante a existência, de tal modo que aquele que hoje depura, será depurado amanhã. Que isso, ao menos resulte numa folga para Zhukov e para os peritos encarregados de lhe lavar o cérebro. E Eisenhower, tal como os seus colegas ocidentais, vacilarão uns segundos nas suas certezas. Hão-de suspeitar ou acreditarão mesmo, no íntimo, que a palavra Paz tem sido usada em vão e em mentira. Todos eles - os grandes chefes - devem sentir, de súbito, vergá-los o peso brutal da responsabilidade por este mundo eriçado de projécteis balísticos, entumescido por bombas nucleares, ensombrado por bombardeiros e caças. Todos se hão-de lembrar, para lá e para cá da Cortina de Ferro, que o dia 25 de Dezembro é o Dia de Natal. O dia em que chegou à Terra o Mensageiro autêntico da única Paz.
Notícias da Tarde, Lourenço Marques, ano VI, nº 1702, 23 de Dezembro de 1957, p. 1
Col. Mesa Redonda
Escrito por Jose Bentes às 08h13
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BAVAROIASE DE CAFÉ
Ingredientes:
3 folhas de gelatina incolor
1,5 dl de leite
4 ovos
180 gr de açúcar
30 gr café solúvel
Caramelo líquido
MODO DE PREPARAÇÃO
Comece por colocar as folhas de geletina num recipiente com água fria e leve o leite ao lume até levantar fervura.Entretanto,bata as gemas com o açúcar,directamente num tacho,adicione-lhe o café solúvel e o leite quente,continuando sempre a bater até o creme ficar bem homogénio.Quando tudo estiver pronto,leve o tacho ao lume e continue a mexer até o creme engrossar.Depois,retire o preparado do lume e adicione-lhe as folhas de gelatina previamente demolhadas,misturando tudo muito bem,até as folhas se dissolverem.Por fim,bata as claras em castelo e adicione-as cuidadosamente ao creme.Coloque o preparado numa forma previamente passada por água fria e leve ao frigirífico pelo menos durante 6 horas.Decore a gosto com caramelo líquido.
RECEITA TIRADA DO GRUPO DO MSN DOS MAXIXENSES
Escrito por Jose Bentes às 10h01
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Outros tempos outras modas...
Há dias, em conversa com um advogado, amigo de infância, recordei uma história verídica, dum tempo que eu vivi... Noutro século, noutro século...
Penso que todos os que me lêem, conhecem bem ou já ouviram falar do Continental, grande café de Maputo, na história, ainda Lourenço Marques. Era um café cheio de virtualidades, cheio de especificidades. Depois das cinco, os "grupos" tomavam os seus lugares nas mesas (conjuntos de...) de sempre. Era a "malta" lagarta, (SCLM), eram os alvi-negros (GDLM), eram os advogados (Almeida Santos, Adrão Rodrigues, Martins de Almeida, etc...) eram os da Companhia de Seguros Lusitana... etc... etc... Era a altura das conversas mais espirituais, como dizia alegremente um amigo meu, era também a altura do falar baixinho na política, sempre de olhinho e ouvidinho alertas, não fosse um "estranho" aparecer por ali com um emblema esquisito, e podem crer, não desportivo... e, fizesse estragos na companhia! Naquele lugar era prática da casa, solicitar, por altifalantes, a eventuais clientes, que entretanto eram chamados ao telefone. Numa tramóia bem urdida, em época de eleições em tempo de ditadura, diria mesmo no auge, na ante-véspera do acto eleitoral, alguém tramou a empregada do Continental, ligando e pedindo para chamar ao telefone o senhor Humberto Delgado! Ela, completamente fora da política (estado normal, de então...) bradou em alto e bom som: "Senhor Humberto Delgado, queira fazer o favor de vir atender o telefone..." Silêncio total, diria mesmo comprometedor, até que ao fundo, da mesa dos advogados umas vozes se faziam ouvir, baixinho, returquindo à insistência da menina "Senhor Humberto Delgado,....." - diziam eles "Ainda não chegou, está para chegar, não tarda..." Até os agentes da secreta foram surpreendidos pois esta cena repetiu-se três ou quatro vezes, para gáudio geral... A menina foi repreendida, e do lado de lá do telefone já ninguém estava claro...
Ainda hoje sorrio a pensar como os tempos eram outros, e as modas também. Fiquem bem, a democracia serve-se a seguir...
Ricky
Escrito por Jose Bentes às 08h41
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CARTAS DA BEIRA DO INDICO (6)
UMA INAUGURAÇÃO AGITADA
A capital de Moçambique, Maputo, tal como qualquer grande metrópole por esse mundo afora, é recheada de acontecimentos que prendem a atenção das diversas camadas sociais da sua população e enchem diariamente as páginas dos jornais e revistas , assim como os noticiários das rádios e televisões. Raramente, contudo, sucedem eventos que atingem os citadinos na sua generalidade como foi a inauguração, no passado dia 8, de um hipermercado da cadeia sul africana “GAME”, localizado junto da marginal, mais precisamente nos terrenos do ATCM entre a Escola Portuguesa e o Bairro do Triunfo, no caminho para a Costa do SolCom instalações que se podem comparar aos hipermercados da Europa e com um parque de estacionamento de grandes dimensões, esta superfície comercial vinha sendo propagandeada desde há muito e nos últimos quinze dias foi mesmo objecto de uma intensa campanha de divulgação na cidade e bairros periféricos. Milhares de panfletos apareceram por toda a parte anunciando a sua inauguração e chamando a atenção para centenas de artigos que iriam ser vendidos a preços baixos.
Num país onde praticamente tudo é importado, o comércio local tira partido dessa situação e carrega bem nos preços, tornando muito difícil o acesso aos mesmos por parte da maioria da população que tem um nível de salários bastante baixo. Previa-se assim uma afluência em massa no primeiro dia de abertura ao público e nas vésperas do acontecimento as pessoas faziam já os seus planos para estarem presentes, assinalando nos panfletos os artigos cuja compra iriam fazer.
Levado pela onda de entusiasmo que se gerou entre os citadinos e também pela curiosidade, juntei-me ao meu amigo Patrício Leão e seu filho João e lá fomos, muito cedo, para a Costa do Sol. O dia estava chuvoso e isso retardou a afluência do grande público ao recinto do “GAME”, onde se notava uma organização própria para receber muita gente, com polícias e seguranças por todo o lado e muitos empregados da organização, uns ocupados no alinhamento de carrinhos, outros preparados para as tarefas de arrumação de viaturas e de orientação das bichas. O ambiente era de festa, com uma potente instalação sonora emitindo músicas africanas e um speaker anunciando o acontecimento. Foi-nos indicado o corredor demarcado por fitas que nos levou à bicha entretanto já iniciada com os primeiros clientes ali chegados e que eram apenas 8, à frente dos quais se encontrava uma senhora
Continua................
Escrito por Jose Bentes às 12h39
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Continuação....
Poucos minutos antes das nove (hora de abertura), dois funcionários superiores da organização foram apresentados através dos altifalantes, seguindo-se um breve discurso e a cerimónia de corte de fita com todos os empregados do “GAME” (cerca de 200) alinhados a aplaudir, secundados também pelos clientes mais próximos da entrada. Antes da abertura das portas foi entregue à senhora que encabeçava a bicha um cheque de um milhão e meio de meticais, como prémio de ser a primeira cliente a chegar, facto que foi sublinhado com palmas pelos presentesAs portas abriram-se finalmente e lá dentro tudo estava bem organizado, com os empregados distribuídos nos seus sectores e muito atenciosos nas indicações que davam aos clientes. A minha tentativa de ser o primeiro cliente a fazer compras no “GAME” foi coroada de êxito: retirei prontamente uma garrafa de Wisky da prateleira que estava logo à entrada e apresentei-me na caixa ao lado, por sinal com o mesmo numero (9) que ocupei na bicha de entrada. O que não me havia passado pela cabeça é que este acto seria objecto de atenção especial por parte da organização, com fotografias para a posteridade e felicitações da gerência!
Volvidos alguns minutos, o estabelecimento estava repleto de gente que aos poucos foi carregando os carrinhos com as mercadorias mais variadas, destacando-se aquelas cuja promoção e preços mais cativou as pessoas. Mesas, cadeiras, jogos de panelas, tendas de campanha e almofadas, eram, entre outros, os artigos que mais se notavam nos carros pelo seu volume e que rapidamente congestionaram os movimentos nos corredores . Na pressa de atingirem as prateleiras desses artigos alguns clientes mais descuidados embatiam uns nos outros e até se registaram pequenas rixas, sempre prontamente resolvidas à boa maneira moçambicana, sem violências físicas ou verbais, numa prova de que o civismo por aqui não é palavra vã.
Feitas as compras programadas reuni-me aos meus parceiros de “aventura” que se concentraram na secção dos electrodomésticos onde o Patrício Leão adquiriu uma arca frigorífica por um preço de cerca de um terço do seu custo nas lojas da cidade. Ali mesmo assistimos a uma autêntica batalha campal entre clientes que se aglomeraram no corredor de acesso aos armazéns para aguardarem o empregado que andava numa roda viva a transportar almofadas. Quando este surgia no limiar da porta era logo assaltado para lhe retirarem as ditas e a confusão aumentava na disputa das mesmas que acabavam por ficar nas mãos de quem as segurava melhor. Só mais tarde me explicaram que estas almofadas de espuma anti alérgica tinham um preço muito convidativo , rondando cerca de dez vezes menos do preço na cidade. Assim se justificava esta autêntica corrida às almofadas que gerou momentos caricatos entre os clientes, que em muitos casos “roubavam” as mesmas dos próprios carrinhos já perfilados nas bichas das caixas.
A pior seca estava para vir e sucedeu nas caixas. Ali a confusão foi tal que clientes e funcionários mais pareciam jogadores de equipas de ragby em pleno jogo. O limitado espaço para tão grande avalanche de clientes foi apenas uma das causas desta confusão, mas outros factores contribuíram para que a maioria dos clientes ficasse mais de duas horas para efectuarem os pagamentos. Caixas e leituras ópticas de preços avariadas; cartões multibanco sem resposta aos respectivos códigos; reclamações sobre preços de artigos que foram anunciados nos panfletos; retirada constante das volumosas quantias de dinheiro das gavetas das caixas registadoras; câmbios de moeda estrangeira, etc., etc. E foi mesmo este último factor que nos levou a ficar todo esse tempo para solucionar os pagamentos, já que o Patrício Leão utilizou dólares para o efeito e os valores que pretendiam aplicar-lhe no respectivo câmbio não correspondiam ao que a gerência antes lhe anunciara . Só a sua persistência na reclamação levou a não ter sido prejudicado.
Eram doze horas e dez minutos quando, finalmente, voltamos ao ar livre da rua, onde a chuva e vento continuavam a fustigar a multidão de clientes que era cada vez maior e se mantinha firme aguardando a sua vez de entrar no “GAME”. Ao passarmos, algumas pessoas de olhos arregalados nos nossos carrinhos de compras, nos interrogaram se este e aquele produto ainda não havia esgotado. As almofadas eram as mais badaladas!
Esta autêntica odisseia, que foi a presença num acto tão banal como é a inauguração de um hipermercado, valeu pela observação das reacções de uma população faminta de coisas a que não tem acesso fácil nas circunstâncias normais de um comércio anárquico como é o de Moçambique. Ouvir os comentários das pessoas que faziam compras, compreende-se melhor quanto ainda falta percorrer no caminho do progresso deste país e do bem estar social dos seus habitantes. Esta gente merecia não só a vinda de mais “GAMES”, mas, principalmente, uma reviravolta na política comercial do país, pois não se compreende como se praticam aqui preços tão exorbitantes, mesmo nos produtos de primeira necessidade, que a maioria esmagadora da população não pode suportar devido aos seus baixos salários.
Regressado a casa depois de uma manhã inteira envolvido nesta “aventura”, a família divertiu-se imenso com as minhas narrativas do acontecimento e nem queriam acreditar como consegui suportar esta “aventura”, iniciada bem cedo. Apreciou também as compras que fiz, que incluíam duas das tão disputadas almofadas!
Como diria o saudoso Fernando Pessa: E esta, ehin!...
Maputo, 12 de Dezembro de 2004
Celestino (Marrabenta)
Escrito por Jose Bentes às 12h38
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CARTAS DA BEIRA DO INDICO
UMA INAUGURAÇÃO AGITADA
A capital de Moçambique, Maputo, tal como qualquer grande metrópole por esse mundo afora, é recheada de acontecimentos que prendem a atenção das diversas camadas sociais da sua população e enchem diariamente as páginas dos jornais e revistas , assim como os noticiários das rádios e televisões. Raramente, contudo, sucedem eventos que atingem os citadinos na sua generalidade como foi a inauguração, no passado dia 8, de um hipermercado da cadeia sul africana “GAME”, localizado junto da marginal, mais precisamente nos terrenos do ATCM entre a Escola Portuguesa e o Bairro do Triunfo, no caminho para a Costa do SolCom instalações que se podem comparar aos hipermercados da Europa e com um parque de estacionamento de grandes dimensões, esta superfície comercial vinha sendo propagandeada desde há muito e nos últimos quinze dias foi mesmo objecto de uma intensa campanha de divulgação na cidade e bairros periféricos. Milhares de panfletos apareceram por toda a parte anunciando a sua inauguração e chamando a atenção para centenas de artigos que iriam ser vendidos a preços baixos.
Num país onde praticamente tudo é importado, o comércio local tira partido dessa situação e carrega bem nos preços, tornando muito difícil o acesso aos mesmos por parte da maioria da população que tem um nível de salários bastante baixo. Previa-se assim uma afluência em massa no primeiro dia de abertura ao público e nas vésperas do acontecimento as pessoas faziam já os seus planos para estarem presentes, assinalando nos panfletos os artigos cuja compra iriam fazer.
Levado pela onda de entusiasmo que se gerou entre os citadinos e também pela curiosidade, juntei-me ao meu amigo Patrício Leão e seu filho João e lá fomos, muito cedo, para a Costa do Sol. O dia estava chuvoso e isso retardou a afluência do grande público ao recinto do “GAME”, onde se notava uma organização própria para receber muita gente, com polícias e seguranças por todo o lado e muitos empregados da organização, uns ocupados no alinhamento de carrinhos, outros preparados para as tarefas de arrumação de viaturas e de orientação das bichas. O ambiente era de festa, com uma potente instalação sonora emitindo músicas africanas e um speaker anunciando o acontecimento. Foi-nos indicado o corredor demarcado por fitas que nos levou à bicha entretanto já iniciada com os primeiros clientes ali chegados e que eram apenas 8, à frente dos quais se encontrava uma senhora.
Poucos minutos antes das nove (hora de abertura), dois funcionários superiores da organização foram apresentados através dos altifalantes, seguindo-se um breve discurso e a cerimónia de corte de fita com todos os empregados do “GAME” (cerca de 200) alinhados a aplaudir, secundados também pelos clientes mais próximos da entrada. Antes da abertura das portas foi entregue à senhora que encabeçava a bicha um cheque de um milhão e meio de meticais, como prémio de ser a primeira cliente a chegar, facto que foi sublinhado com palmas pelos presentesAs portas abriram-se finalmente e lá dentro tudo estava bem organizado, com os empregados distribuídos nos seus sectores e muito atenciosos nas indicações que davam aos clientes. A minha tentativa de ser o primeiro cliente a fazer compras no “GAME” foi coroada de êxito: retirei prontamente uma garrafa de Wisky da prateleira que estava logo à entrada e apresentei-me na caixa ao lado, por sinal com o mesmo numero (9) que ocupei na bicha de entrada. O que não me havia passado pela cabeça é que este acto seria objecto de atenção especial por parte da organização, com fotografias para a posteridade e felicitações da gerência!
Continua......
Escrito por Jose Bentes às 12h37
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Continuação.......
Poucos minutos antes das nove (hora de abertura), dois funcionários superiores da organização foram apresentados através dos altifalantes, seguindo-se um breve discurso e a cerimónia de corte de fita com todos os empregados do “GAME” (cerca de 200) alinhados a aplaudir, secundados também pelos clientes mais próximos da entrada. Antes da abertura das portas foi entregue à senhora que encabeçava a bicha um cheque de um milhão e meio de meticais, como prémio de ser a primeira cliente a chegar, facto que foi sublinhado com palmas pelos presentesAs portas abriram-se finalmente e lá dentro tudo estava bem organizado, com os empregados distribuídos nos seus sectores e muito atenciosos nas indicações que davam aos clientes. A minha tentativa de ser o primeiro cliente a fazer compras no “GAME” foi coroada de êxito: retirei prontamente uma garrafa de Wisky da prateleira que estava logo à entrada e apresentei-me na caixa ao lado, por sinal com o mesmo numero (9) que ocupei na bicha de entrada. O que não me havia passado pela cabeça é que este acto seria objecto de atenção especial por parte da organização, com fotografias para a posteridade e felicitações da gerência!
Volvidos alguns minutos, o estabelecimento estava repleto de gente que aos poucos foi carregando os carrinhos com as mercadorias mais variadas, destacando-se aquelas cuja promoção e preços mais cativou as pessoas. Mesas, cadeiras, jogos de panelas, tendas de campanha e almofadas, eram, entre outros, os artigos que mais se notavam nos carros pelo seu volume e que rapidamente congestionaram os movimentos nos corredores . Na pressa de atingirem as prateleiras desses artigos alguns clientes mais descuidados embatiam uns nos outros e até se registaram pequenas rixas, sempre prontamente resolvidas à boa maneira moçambicana, sem violências físicas ou verbais, numa prova de que o civismo por aqui não é palavra vã.
Feitas as compras programadas reuni-me aos meus parceiros de “aventura” que se concentraram na secção dos electrodomésticos onde o Patrício Leão adquiriu uma arca frigorífica por um preço de cerca de um terço do seu custo nas lojas da cidade. Ali mesmo assistimos a uma autêntica batalha campal entre clientes que se aglomeraram no corredor de acesso aos armazéns para aguardarem o empregado que andava numa roda viva a transportar almofadas. Quando este surgia no limiar da porta era logo assaltado para lhe retirarem as ditas e a confusão aumentava na disputa das mesmas que acabavam por ficar nas mãos de quem as segurava melhor. Só mais tarde me explicaram que estas almofadas de espuma anti alérgica tinham um preço muito convidativo , rondando cerca de dez vezes menos do preço na cidade. Assim se justificava esta autêntica corrida às almofadas que gerou momentos caricatos entre os clientes, que em muitos casos “roubavam” as mesmas dos próprios carrinhos já perfilados nas bichas das caixas.
A pior seca estava para vir e sucedeu nas caixas. Ali a confusão foi tal que clientes e funcionários mais pareciam jogadores de equipas de ragby em pleno jogo. O limitado espaço para tão grande avalanche de clientes foi apenas uma das causas desta confusão, mas outros factores contribuíram para que a maioria dos clientes ficasse mais de duas horas para efectuarem os pagamentos. Caixas e leituras ópticas de preços avariadas; cartões multibanco sem resposta aos respectivos códigos; reclamações sobre preços de artigos que foram anunciados nos panfletos; retirada constante das volumosas quantias de dinheiro das gavetas das caixas registadoras; câmbios de moeda estrangeira, etc., etc. E foi mesmo este último factor que nos levou a ficar todo esse tempo para solucionar os pagamentos, já que o Patrício Leão utilizou dólares para o efeito e os valores que pretendiam aplicar-lhe no respectivo câmbio não correspondiam ao que a gerência antes lhe anunciara . Só a sua persistência na reclamação levou a não ter sido prejudicado.
Eram doze horas e dez minutos quando, finalmente, voltamos ao ar livre da rua, onde a chuva e vento continuavam a fustigar a multidão de clientes que era cada vez maior e se mantinha firme aguardando a sua vez de entrar no “GAME”. Ao passarmos, algumas pessoas de olhos arregalados nos nossos carrinhos de compras, nos interrogaram se este e aquele produto ainda não havia esgotado. As almofadas eram as mais badaladas!
Esta autêntica odisseia, que foi a presença num acto tão banal como é a inauguração de um hipermercado, valeu pela observação das reacções de uma população faminta de coisas a que não tem acesso fácil nas circunstâncias normais de um comércio anárquico como é o de Moçambique. Ouvir os comentários das pessoas que faziam compras, compreende-se melhor quanto ainda falta percorrer no caminho do progresso deste país e do bem estar social dos seus habitantes. Esta gente merecia não só a vinda de mais “GAMES”, mas, principalmente, uma reviravolta na política comercial do país, pois não se compreende como se praticam aqui preços tão exorbitantes, mesmo nos produtos de primeira necessidade, que a maioria esmagadora da população não pode suportar devido aos seus baixos salários.
Regressado a casa depois de uma manhã inteira envolvido nesta “aventura”, a família divertiu-se imenso com as minhas narrativas do acontecimento e nem queriam acreditar como consegui suportar esta “aventura”, iniciada bem cedo. Apreciou também as compras que fiz, que incluíam duas das tão disputadas almofadas!
Como diria o saudoso Fernando Pessa: E esta, ehin!...
Maputo, 12 de Dezembro de 2004
Celestino (Marrabenta)
Escrito por Jose Bentes às 12h35
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De onde vem esse vento
De onde vem esse vento que entra por dentro da roupa e faz-me sentir o frio? De onde vem esse som, esse barulho que lembra algo que eu não consigo lembrar o que é? A porta está fechada, a rua está em silêncio, mas... Acho que é de dentro, é interior. O frio é meu, e a lembrança se foi! E se vai; e leva-me mas não me acompanha, fica: e eu vou... longe, bem longe! Tão longe de mim que me acho perdido vagueando por lugares desconhecidos, mas conheço. Não me conheço, não sei. Mas o que sei e o que sinto são tão inúteis! E cada vez sei mais, e cada vez sinto mais, e cada vez sofro mais, e é sempre, cada vez, mais inútil. Tanto sei, que me inutilizo por sofrer o que sinto, inútil. Não! Não sinto inútil, inútil sofro... chega!
Autor Carlos Bê pintor e escritor - Natural de Moçambique
Escrito por Jose Bentes às 11h23
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PARACHOQUE
"70 me passar, passe 100 atrapalhar."
"A calunia é como carvão: quando não queima, suja."
"A escola é uma instituição financeira que vende diplomas, o aluno é o consumidor interessado em comprar o diploma e o professor é o tipo que quer atrapalhar as negociações."
"A medicina não cura a dor da separação."
"Agora estou fazendo a dieta da sopa... deu sopa, eu como!"
"Alegria de poste é estar no mato sem cachorro."
"Amor: palavra de quatro letras, duas vogais, duas consoantes e dois idiotas."
"Cana na fazenda dá pinga; pinga na cidade dá cana."
"Casamento é o fim das criancices e o começo das criançadas."
"Chifre é igual dentadura: demora mas acostuma."
"Dinheiro de pobre parece sabão; quando pega, escorrega da mão."
"Quem gosta de mulher feia, é salão de beleza."
"Se teta fosse buzina, ninguém dormia à noite."
"Segredo entre três, só matando dois."
"A esperança e a sogra, são as últimas que morrem."
"É claro que sou metido; se não fosse, seria de proveta."
"Se chiar resolvesse, Sal de Frutas não morria afogado."
"Mulher é igual a relógio: depois do primeiro defeito, nunca mais anda direito."
"Visitas sempre dão prazer. Se não na chegada, ao menos na saida."
"O maior castigo para um bigamo? Duas sogras!."
Moreira Amigo do site:Moçambique Ontem & Hoje
Escrito por Jose Bentes às 10h54
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O Por do Sol
Quando olhei o por do sol ...
Um dia ensolarado e sem nuvem..
Entrava eu pela praia procurando alguém...
Rumava para o molhe que adentrava o mar..
Onde as ondas quebravam sem parar....
Bramindo seus braços e brilhando como o sol....
Rindo à tôa de felicidade e romantismo...
Indo sempre em direção ao abismo.....
Não temendo a força do mar nem seu rugido...
Cada passo que dava era como um salto no ar...
Ainda escuto o murmúrio dessas ondas se quebrando...
Rindo sempre me aproximei cada vez mais do por do sol
Jose Antonio
Escrito por Jose Bentes às 15h57
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Nunca Percas o Sorriso

Para ti feliz de novo canto Meu amigo, companheiro De jornadas virtuais no tempo Sem lamento, com alegria Por ter-te encontrado um dia
Lembras-te das brincadeiras Do esconde-esconde inocente Das palavras divagantes Que tivemos em instantes De beleza tão premente
Voamos através de letras De sonhos, futilidades Em fortes e densos pensares Sentidos Vividos Plenos de actualidades
Discutimos, concordamos Sentimentos tão iguais E falamos, adivinhamos Dizeres Fazeres Sei lá que mais
A distância, o isolamento Por necessários motivos Da vida que passa inclemente Não mudou Só reforçou A amizade dos sentidos
Com atenção absorvo escuto Doces palavras e sigo Coincidências de nós Na voz D’amigo “Nunca percas o sorriso”
desconheço autor
Escrito por Jose Bentes às 15h37
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Cartas da beira do Indico (2)
REENCONTROS COM VELHOS AMIGOS
1 – RICARDO RANGEL
Esta é uma homenagem que faço a este grande fotografo Moçambicano de quem sempre fui um fã incondicional e que nunca tive o prazer de conhecer pessoalmente mas sempre acompanhei o seu trabalho ..... Parabéns por nos dar tão belas Fotos .... que dizem tanto ou m ais que palavras ...Você é o poeta das lentes ....

Quando chego de novo a Moçambique e após os primeiros dias com a família, fico logo em pulgas para visitar amigos. Cultivo aquela máxima que diz: sem amigos não se vive feliz!
Vou à velha lista cá de casa que fica sempre no armário do telefone fixo e começo a ligar para este e aquele e os encontros sucedem-se dia após dia. Ao fim de algum tempo, são já muitos os nomes com o sinal de contacto feito, embora muitos outros continuem em stand by . Nesta terra não é fácil encontrar as pessoas, sobretudo aquelas cuja actividade profissional implica deslocações às províncias ou mesmo ao estrangeiro.
É através destes contactos que se põe a “escrita em dia” tanto nas questões pessoais como em relação às novidades mais sensacionais dos últimos tempos desta terra tão habituada a fofoquices. No fundo todos gostam de andar bem informados e os próprios jornais da cidade dão-se bem com este sistema. Raro é o dia que não despoletam uma polémica, algumas envolvendo até figuras gradas da vida pública, que no fundo são as mais apreciadas. O pior é que as ilações que o povinho tira dessas notícias passam rapidamente a certezas e as pessoas envolvidas, mesmo inocentes, são logo condenadas na praça pública.
Mas, estou a desviar-me do assunto da minha carta de hoje. Quero falar de um amigo que visitei no seu local de trabalho – o Centro de Formação Fotográfica, de que é director -, nem mais nem menos que o velho Ricardo Rangel, figura histórica que toda a cidade bem conhece e por quem nutro uma simpatia muito especial que vem dos anos 50, altura em que o conheci e desde quando ficamos amigos
Continua.......
Escrito por Jose Bentes às 14h22
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Reencontro com o velho amigo
Para falar deste Homem seria preciso encher vários quarteirões de páginas, tão vasto e rico que é o seu currículo e o seu passado. Teria que referenciar uma vasta bibliografia a ele dedicada ao longo dos últimos 50 anos, relacionada com a sua obra e com as honrarias que lhe foram concedidas, abrangendo condecorações e prémios do mais alto nível, onde se inclui uma do Presidente da República Portuguesa – o Grau de Oficial da Ordem de Mérito do Infante D. Henrique - atribuída em 1999.
Conhecendo bem o Ricardo, o seu carácter, a sua modéstia e simplicidade, sei que não gosta que os amigos o tratem com panarícios exagerados, preferindo continuar a ser tratado como o fazíamos nos velhos tempos em que andávamos nos copos nos cabarés da Rua Araújo. Óh pá para aqui, oh pá para ali e está tudo bem com ele. Todavia, como o seu estatuto actual impõe grande respeito, atrevo-me a quebrar as regras e adianto, para quem não conhece este Homem, algumas palavras sobre a pessoa e o profissional. Recorro ao recente Álbum “RICARDO RANGEL FOTÓGRAFO”, editado em França em Junho do corrente ano pelas Editions de L’oeil:
“Ricardo Rangel, descendente de Africanos, de Gregos e de Chineses, nasceu em 1924 em Lourenço Marques. A sua biografia é um romance épico: a sua vocação nasce quando, ainda jovem, rouba um relógio ao seu avô para trocá-lo por uma “caixa fotográfica”. Nos anos cinquenta, ele ousa fazer profissão de um ofício reservado exclusivamente aos brancos. Em 1952, entra no diário “Notícias da Tarde”, como foto-repórter, o que faz dele o primeiro fotógrafo negro a trabalhar para um jornal de informação. A sua carreira é adornada de perseguições feitas à sua localidade pelo regime ditatorial português. Depois da independência, dirige e forma uma nova geração de fotógrafos. Desse modo, Ricardo Rangel nunca parou de testemunhar as lutas do seu país.”
Deste texto permito-me corrigir uma distorção que é a alusão feita à sua raça. O Ricardo Rangel é misto, como à partida o texto bem indica ao referir a sua descendência.
Continua......
Escrito por Jose Bentes às 14h17
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Continuação.......

Capa do seu recente álbum
Voltando ao referido Álbum repesco ainda as seguintes palavras de outro texto assinado pelo conhecido escritor e jornalista moçambicano Calane da Silva:
“…A fazer as imagens da história dos últimos sessenta anos de Moçambique, este grande Senhor transformou-se ele mesmo em figura histórica desta terra….”
A nossa amizade não nasceu acidentalmente mas pelo facto do Ricardo ser, já no início da década de cinquenta, um fotógrafo experimentado e bem conhecido na cidade de Lourenço Marques. Trabalhava então na “Foto Sousa”, na rua Consiglier Pedroso, na baixa da cidade, quando iniciei os contactos com ele, precisamente para me ensinar a revelar filmes fotográficos e fazer as minhas próprias fotografias. Tratava-se de um sonho que tinha e que veria concretizado depois da compra de material adequado na própria empresa, de cujo proprietário me tornei igualmente amigo. As lições do Ricardo, no laboratório da Foto Sousa, foram suficientes para que ao longo de mais de vinte anos eu fizesse as minhas próprias fotografias a preços reduzidos visto que só comprava os rolos, o papel e os produtos químicos. De sonho que era passou a ser uma paixão, só ultrapassada com a idade e com as novas tecnologias.
Foi também o Ricardo que me deu as primeiras lições de como lidar com a primeira máquina de filmar de 8mm, igualmente adquirida (a prestações) na Foto Sousa. Daí aos convívios e às noites dos bailes e da rambóia em Lourenço Marques, foi um passo.
A minha ausência prolongada da capital, por muitos anos, devido a ter prestado serviço no norte e centro do País, não me afastou do contacto com o Ricardo. Primeiro porque continuei a ser cliente assíduo da Foto Sousa, mais tarde com sucursais na Beira e Vila Pery (Chimoio). Segundo porque o Ricardo voltou às suas actividades de repórter/fotógrafo de jornais e revistas e isso o levava aos mais variados recantos do território, alguns deles onde tínhamos encontros fortuitos Por último ele foi trabalhar para a cidade da Beira e os nossos encontros passaram a ser constantes, nomeadamente no Parque Nacional da Gorongosa onde a minha actividade e a dele se cruzavam constantemente.
O regresso à capital, de ambos, aconteceu já com a guerra colonial muito activa no Norte. O Ricardo Rangel era então uma pessoa marcada pela PIDE, em consequência das suas posições relativamente à justeza da luta de libertação que os nacionalistas moçambicanos travam desde 1964. Foi preso e sofreu na pele porque se manteve fiel a esses princípios, mas é hoje, aos oitenta anos, um Homem realizado e muito feliz por ter contribuído, à sua maneira, para que a sua terra seja hoje uma Nação independente.
O Centro de Formação Fotográfica, onde felizmente ele e sua esposa (a simpática Beatriz) continuam de pedra e cal, é um vasto repositório da sua grande obra, ali conservada em milhares de ficheiros bem organizados. Desde a entrada ao mais pequeno gabinete, passando por salas de aulas e estúdios, a decoração é baseada em fotografias que fizeram história e que tornaram o Ricardo Rangel numa figura universal de relevo nesta arte.
Está enganado quem pensa que uma pessoa aos oitenta anos é um velho caduco e senil. O Ricardo está rijo e lúcido e desenvolve uma actividade de direcção que faz inveja aos novos! Durante o tempo que passei com ele no Centro, observei que tudo ali funciona com a maior naturalidade sob a sua batuta, admiravelmente coadjuvado pela Beatriz. Mas não só, o Ricardo continua a trabalhar em projectos de publicações e exposições e neste momento, em que completo esta “Carta”, ele encontra-se em Portugal a supervisar a publicação de mais uma das suas obra, desta feita com um título muito sugestivo: o Pão nosso de cada Noite. Trata-se de um trabalho que retrata a vida nocturna da célebre rua Araújo, na baixa da cidade, nos velhos tempos em que ele militava por ali não só para se recrear mas para colher imagens inéditas que conservou ao longo dos tempos.
Será, concerteza, mais um sucesso do mestre e amigo Ricardo Rangel, uma lenda viva que faz parte da história de Moçambique!
Maputo, Novembro de 2004
Celestino (Marrabenta)
Escrito por Jose Bentes às 14h15
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Caril de Camarão à moda de Goa
Ingredientes
1/2 kg de camarão descascado
1/2 côco fresco moído
6 pimentas vermelhas
1/2 colher de chá de cuminhos em pó
1/4 colher de chá de pimenta redonda moída
1 colher de chá de coentros em pó
1 1/2 colher de chá de assafrão
1 um pouco de gingibre moído
4 dentes de alho moído
um pouco de tamarindo (pode substituir por vinagre do bom)
1 cebola das grandes picada
sal q.b.
Procedimento
Pôr o côco ralado, pimenta, cuminhos, pimenta redonda, coentros, gengibre, alhos e tamarindo. Juntar o assafrão. Introduzir este ingredientes numa picadora , deitando um pouco de vinagre, até ficar uma pasta. Deitarazeite num tacho e refogar a cebola. Depois juntam-se os ingredientes em pasta, com o camarão. Mexer com uma colher de pau, em lume brando . Estando os camarões encarniçados juntar um pouco de água até cobrir um pouco acima os camarões. Deixar ferver e apurar. Introduzir vinagre ou sal q.b. caso seja necessário.
Receita de uma amiga da minha mae que era Natural de Goa
Escrito por Jose Bentes às 16h06
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Um lillium
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guardei-te no meu olhar
no verde
no verde mais intenso
surges
lillium alba
pintas de ocre
pousam em tuas pétalas
e pesam
pesam em meu olhar
surges do verde
do verde mais intenso
e agora descansas
guardado no meu olhar |
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Escrito por Jose Bentes às 10h53
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Cartas da beira do Indico
O INICIO DA ÉPOCA BALNEAR
O mês de Novembro trouxe já o calor e a humidade próprios do Verão africano, que nesta parte oriental do continente acontece quando a Europa está em pleno Inverno. As temperaturas ultrapassam já os 30 graus, com mais de 90 por cento no que respeita à humidade. Faltam só as chuvas para complementar o clima tropical desta estação e que são sempre bem vindas, quando moderadas, sobretudo pelos agricultores.
Com esta repentina mudança de temperaturas as pessoas começaram já a afluir às praias, ciosas da frescura da beira mar e dos banhos nas águas tépidas do Indico.
A população de Maputo de menores posses dá preferência à Costa do Sol e aos fins de semana enche literalmente todos os espaços vazios do extenso areal a partir do Bairro do Triunfo. No último domingo verificou-se ali uma afluência fora do vulgar, com a marginal a abarrotar de carros (ligeiros e pesados) super lotados de gente que cantava e dançava alegremente, exibindo cartazes, bandeiras e fotografias em apoio à campanha eleitoral do candidato à presidência da República, Armando Guebuza, que está em curso e cujo acto terá lugar nos dias 1 e 2 de Dezembro próximo.
Os citadinos das camadas mais abastadas também começaram a passar os fins de semana nas praias mais afastadas, onde muitos possuem casa, nomeadamente na Ponta do Ouro, Bilene, Xai-Xai e Tofo, ou mesmo nos diversos Resores e Lodges instalados ao longo da costa, como seja na Ilhas da Inhaca e do arquipélago do Bazaruto, nas praias de Macaneta, Chongoene, Chidenguele, Závora, Jangamo, Guinjata, Baia dos Cocos, Barra, Murrungula, Pomene, Vilanculos, Inhassoro e outros recantos paradisíacos do Sul do País.
Embalada nesta onda de entusiasmo de início da época balnear, também a família programou uns dias na praia de Xai-Xai, aquela que em tempos fora rotulada de rainha das praias de Moçambique e que ainda não perdeu este estatuto. Esta estadia, aliás, sucedeu e repetir-se-á porque a filha tem ali casa alugada devido à sua actual situação profissional com actividade na cidade de Xai-Xai, sede da província de Gaza.
Sem esconder o meu fraco pela praia do Tofo (aquela onde as areias chiam), mais a norte na província de Inhambane, não deixo de me render às belezas da praia do Xai-Xai e às suas extraordinárias condições de segurança, sobretudo para as crianças que ali podem banhar-se em águas baixas, límpidas e calmas, seja qual for o nível das marés. Isto porque uma barreira de rocha coralífera separa as águas revoltas do oceano e amortece as ondas, formando caprichosos lagos que se espraiam ao longo das areias brancas.
Continua........
Escrito por Jose Bentes às 12h02
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Por outro lado, conservo desta praia recordações agradáveis, como foi a lua de mel ali passada no já longínquo ano de 1956 (!!!), altura em que nos instalamos naquele que foi um belíssimo Hotel - o Xai-Xai -, agora um esqueleto de paredes em ruínas. Não obstante este aspecto negativo, os oito maravilhosos dias agora ali passados lembraram esse passado pelo muito de igual e agradável que se continua a desfrutar neste local de eleição: a boa lagosta, as ostras e o peixe sempre frescos, de sabores genuínos e puros que diariamente os pescadores nos vendem à porta de casa, são um privilégio dos deuses que simples mortais como nós, habituados nos últimos quinze anos a comer peixe congelado de sabor a palha, conseguem aqui degustar em quantidades apreciáveis e a preços baixos (lagosta a 80.000 meticais o Kg – cerca de 3,50 €) !
Para além das muitas horas de descontracção passadas na água, nos passeios pelas areias macias e sob o guarda-sol, lendo ou simplesmente meditando, esta estadia proporcionou-me ainda alguns momentos emotivos na pesca à cana, que sempre pratico quando me encontro nestas paragens e que teve o seu ponto alto com uma garoupa de cerca de dois quilos, fisgada no célebre fundão das rochas da praia Velha.
À parte os dois mamarrachos dos esqueletos do referido Hotel Xai-Xai e do edifício da ex-colónia de férias da Mocidade Portuguesa, que são as duas manchas negras a sujar esta bela praia e nos trazem a má recordação dos anos de guerra que conduziram ao estado degradante destas duas importantes construções, as restantes casas foram mantidas e até melhoradas e muitas outras construídas de novo, fazendo desta estância um excelente local não só para veraneio como de residência permanente de muitos funcionários do Estado e de Empresas com sede na capital – cidade de Xai-Xai. Residem aqui, também, alguns representantes e técnicos de organizações estrangeiras que cooperam no desenvolvimento do distrito de Gaza, incluindo-se nestas a Cooperação Portuguesa que participa activamente na área da saúde rural.
Os turistas encontram nesta praia razoáveis condições de instalação, como seja um Hotel - o Haley - e um Parque da Campismo municipal (recém melhorado), assim como alguns restaurantes e esplanadas viradas ao mar. Há também alguns serviços públicos, como correios, telefones, polícia, escola primária, posto de saúde e serviços municipalizados de água e luz. As redes de telemóveis (duas) têm cobertura garantida, aliás uma melhoria recente que abrange também as principais cidades, vilas e praias do país.
Continua.................
Escrito por Jose Bentes às 11h59
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A viagem de Maputo para o Xai-Xai (cidade), de 225 Kms, mais 15 Kms até à praia, faz-se em pouco mais de três horas. A estrada está em boas condições, à excepção do percurso de 50 Kms entre a localidade da Macia e a povoação de Chicumbane. Contudo, estão em curso obras de restauro e alargamento de todo o trajecto, bem visíveis já em alguns troços, nomeadamente ao longo dos 9 Kms do vale do rio Limpopo, entre Chicumbane e a ponte deste rio junto da cidade, onde foi concluída recentemente uma grande obra de hidráulica na sequência dos elevados danos ali causados pelas grandes cheias de Fevereiro do ano 2000. O excelente piso deste percurso, construído sobre um aterro com cerca de três metros de altura e dotado de 14 pontes, é considerado pelos responsáveis do projecto como a solução definitiva para o trânsito rodoviário neste ponto crucial do país, que era sempre interrompido pelas cheias cíclicas provocadas pelas enxurradas daquele grande rio.
As viagens pelo interior de Moçambique, mesmo nas regiões de menor interesse paisagístico, são sempre agradáveis mesmo para quem, como nós, conhece o país de lés a lés. Há sempre motivos de interesse, que observados numa óptica ambientalista, consolam a vista. Neste trajecto Maputo/Xai-Xai, pese embora alguma degradação verificada nas matas que nos últimos trinta anos foram objecto de abates indiscriminados por parte dos vendedores de lenha e carvão, existem muitos aspectos positivos e paisagens que nos mantêm sempre atentos ao longo de toda a viagem. Percorridos os primeiros trinta quilómetros, em que a preocupação de quem guia é libertar-se o mais rápido possível do enorme trânsito que entra e sai da cidade, surge a vila de Marracuene (terra onde vivi e casei) e logo nos regalamos com a paisagem que nos fica à direita, onde o rio Incomati serpenteia num vale de acentuado colorido predominantemente verde e um fundo com as dunas da Macaneta num recorte de tons mais escuros, intercalados por clareiras brancas das areias da praia e o oceano ao fundo exibindo o seu imaculado azul marinho. Este belo espectáculo completa-se com um céu límpido a fundir-se no horizonte numa simbiose de tons onde o azul celeste bem combina com o mar e a planície.
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Escrito por Jose Bentes às 11h58
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Um pouco de monotonia acontece depois deste belo espectáculo, quando a estrada flecte para a esquerda na direcção da vila da Manhiça. É ao longo deste trajecto, de 40 Kms, que passa por povoações secundárias como o Bobole e Muluana, que se nota a grande devastação imposta nas matas, outrora ali bem revestidas de árvores nativas de grande porte. Restam apenas os cajueiros, os canhoeiros e algumas mafurreiras junto das povoações, porque são árvores que fazem parte da economia caseira como fornecedoras de frutos destinados a confecção de bebidas tradicionais muito apreciadas.
A vila da Manhiça é ponto de paragem para um refresco no Bar Laurentino, que habitualmente é frequentado pelos viajantes. Outros bares, lojas e tendas de rua servem quem passa e também a população que é e sempre foi numerosa nesta localidade. O mercado de rua alberga uma autêntica multidão, entre vendedores e compradores, ou simples mirones, que torna difícil e morosa a passagem dos carros nesta vila.
Entre a Manhiça e a Palmeira (20 Kms), a paisagem é já bem diferente. Volta a desfrutar-se a planície do vale do Incomati, embora já sem o mar por fundo.
A Palmeira é outro dos pontos de paragem que muitos escolhem por ter um razoável restaurante e bar, assim como mercado muito bem abastecido de frutas, vegetais e outros artigos de produção local. Tem também bomba de combustíveis, oficinas de apoio mecânico, lojas de comércio e uma fábrica de descasque de arroz que no passado pertenceu ao célebre e popular Inácio de Sousa.
Continua..................
Escrito por Jose Bentes às 11h57
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A nossa paragem na Palmeira aconteceu apenas no regresso precisamente para observarmos de perto o que resta da palmeira que há uns meses a trás se partiu. Esta bem conhecida árvore, que deu o nome ao local e que tem uma história de mais de cem anos, está moribunda, com uma parte do tronco ainda agarrada ao solo e dois grandes pedaços estatelados no chão. Isolada e implantada num ponto elevado em relação às planícies adjacentes, esta esguia e alta palmeira serviu, em tempos passados, de referência nos trabalhos geodésicos que levaram à elaboração das cartas topográficas da região. Diz-se também que foi junto da mesma que Mouzinho de Albuquerque acampou com as suas tropas a quando da campanha militar de 1895 que levou à prisão, não muito longe dali, do grande Gungunhana. Esta última asserção fez com que se criasse à volta desta famosa árvore o mito de poderes sobrenaturais, daí que a população local a olhe com cepticismo e respeito e não se aproxime dela, mesmo agora que está praticamente morta.
Continuando para norte, os próximos 55 quilómetros decorrem por terrenos baixos, até Magul, passando pela povoação 3 de Fevereiro onde nos primeiros anos pós independência foi construída uma das maiores aldeias comunais do país. A travessia do vale do Incomáti torna-se particularmente atraente pela beleza dos canaviais (cana de açúcar), a perder de vista, pertencentes ao complexo açucareiro de Xinavane (terra natal da Lurdes, minha mulher), que fica a alguns quilómetros da estrada principal, no sentido de Magude e cujas chaminés fumegantes da fábrica se avistam.
Transposta a ponte sobre o rio Incomati e com a plantação de cana já para trás, a vegetação predominante é a palmeira anã, de onde a população extrai o sumo para confeccionar uma agradável bebida conhecida por sura. E como decorre precisamente a época de extracção desse sumo, encontram-se numerosos vendedores de sura ao longo de todo este percurso.
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Escrito por Jose Bentes às 11h55
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Ainda neste trajecto, os viajantes, mesmo aqueles que desconhecem a região, são alertados por enormes bandos de patos, gansos, garças e cegonhas, que esvoaçam a baixa altitude. Trata-se da existência, a pouca distância e à esquerda da estrada, de uma das maiores lagoas do sul de Moçambique – a lagoa Chuale - onde existem várias destas espécies migratórias. Este núcleo ecológico desde há muito que é objecto de interesse por parte de ornitologistas nacionais e estrangeiros que o consideram de extrema importância para as mesmas espécies, tal como Santa Lúcia, na costa marítima da Africa do Sul e outras lagoas do interior da Tanzânia e Quénia, por serem locais de nidificação e fazerem parte da rota destas aves entre os continentes africano e europeu.
Pouco antes de se atingir a povoação de Magul, a estrada abandona os terrenos baixos das planícies do vale do Incomati e sobe alguns metros onde se inicia um tipo totalmente diferente de vegetação. Começam a aparecer algumas espécies nativas de porte considerável, misturadas com as nossas bem conhecidas mangueiras, cajueiros, mafurreiras, canhoeiros e coqueiros. De entre aquelas destacam-se as bonitas acácias umbrela com as suas copas a dominar a vegetação mais baixa, como são as massalas e macuácuas, também presentes, entre outras espécies. Mais raras mas também presentes, as chanfutas aparecem aqui e ali sob a forma de pequenas árvores, inferindo-se daqui que as de maior porte foram todas cortadas por se tratar de boa madeira.
Continua..............
Escrito por Jose Bentes às 11h54
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Pouco antes de se atingir a povoação de Magul, a estrada abandona os terrenos baixos das planícies do vale do Incomati e sobe alguns metros onde se inicia um tipo totalmente diferente de vegetação. Começam a aparecer algumas espécies nativas de porte considerável, misturadas com as nossas bem conhecidas mangueiras, cajueiros, mafurreiras, canhoeiros e coqueiros. De entre aquelas destacam-se as bonitas acácias umbrela com as suas copas a dominar a vegetação mais baixa, como são as massalas e macuácuas, também presentes, entre outras espécies. Mais raras mas também presentes, as chanfutas aparecem aqui e ali sob a forma de pequenas árvores, inferindo-se daqui que as de maior porte foram todas cortadas por se tratar de boa madeira.
O bonito aspecto da mata nativa ao longo do trajecto, de 70 Kms, entre Magul e Chicumbane, está já a sofrer grandes mutações provocadas pelas populações, que derrubam indiscriminadamente as árvores mais significativas para obtenção de carvão e lenha e, também, para fazerem as suas machambas. A continuar este ritmo de abates, que se avalia pela grande quantidade de sacos de carvão e pilhas de lenha expostos ao longo do trajecto, para venda, antevê-se, para breve, um destino idêntico à situação descrita para o trajecto Marracuene/Manhiça. É pena que assim seja, pois já existem leis de conservação e maneio das florestas, em Moçambique, que a serem executadas poder-se-ia salvar o rico património florestal desta e outras regiões ameaçadas de se tornarem zonas desertificadas e, consequentemente, perdidas para a própria agricultura devido à inevitável erosão dos terrenos pelas chuvas.
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Escrito por Jose Bentes às 11h54
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Entre Magul e Chicumbane, passamos por diversas povoações, destacando-se a Vila da Macia, situada no cruzamento das estradas que seguem para a praia do Bilene, à direita, e para o Chókwe (antiga vila Trigo de Morais), à esquerda. Aqui é outro local de paragem, por dispor de alguns estabelecimentos, bares e restaurantes, assim como de um mercado de rua bem abastecido de frutas e legumes. É também na Macia que se vende o melhor caju caseiro e nós aproveitamos para um abastecimento razoável deste produto, assim como de bananas, papaias, batata doce, pimentos, tomate, cebola, mandioca fresca, anonas e, até, de piripiri “sacana” já que no Xai-Xai todos estes produtos são consideravelmente mais caros.
Continua............
Escrito por Jose Bentes às 11h53
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Incaia, Chimondzo, Chissano, Chipenhe e uma nova 3 de Fevereiro, foram as restantes povoação atravessadas até Chicumbane, um percurso algo doloroso devido ao mau estado da estrada, como atrás dissemos. Embora sem o movimento que se verifica na Macia, também estes povoados registam vida própria, com comércio e mercados de rua bem concorridos.
Transposta a planície do vale do rio Limpopo, na belíssima estrada também já descrita, chega-se à cidade do Xai-Xai depois de atravessarmos a ponte sobre este mesmo rio. Deparamos com uma cidade em transformação radical no aspecto das suas ruas e avenidas, totalmente restauradas ou em vias de o ser face ao elevado número de máquinas em constante movimento. Também muitas das suas casas, que as grandes cheias de Fevereiro de 2000 danificaram, foram ou estão já em vias de completo restauro. Trata-se de um avultado empreendimento que em boa parte vem do apoio internacional e que esta bonita e hospitaleira cidade bem merece.
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Escrito por Jose Bentes às 11h53
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Ponto obrigatório de paragem para quem viaja entre o norte e sul do país, a cidade de Xai-Xai traz-nos recordações de algumas das fases da nossa vida profissional em Moçambique, quando por aqui passamos no exercício dessas actividades. A primeira vez que ali aportei foi no ano de 1954, seguia então para Inhambane a bordo do navio costeiro que ostentava o nome desta mesma cidade - Xai-Xai. Não existia ainda a ponte sobre o rio (a travessia do rio era feita de batelão) e os barcos navegavam com a maré cheia, rio adentro, até aportarem junto de uma tosca ponte-cais, ali perto da estação dos caminhos de ferro. A segunda aconteceu, pouco tempo depois, vindo de Inhambane a caminho do Pafúri, de comboio tomado em Manjacaze, após ligação em autocarro a partir do fim do ramal ferroviário Inhambane/Inharrime. A partir desse ano foram muitas as passagens por esta cidade e, tenho que confessar, nunca me demorei aqui devido à insalubridade desta terra. Contudo, a praia atraiu-me desde sempre e por isso mesmo a escolhi para passar a lua de mel. Ainda hoje estou apaixonado por ela!
O troço de estrada entre a cidade e a praia decorre, nos primeiros cinco quilómetros, pela estrada nacional que segue para norte e depois por um ramal de dez quilómetros, à direita, que serpenteia ao longo de elevadas dunas (as maiores de toda a costa moçambicana) salpicadas de palhotas e que termina numa rotunda no início da vila, local elevado a partir do qual se desfruta uma vista deslumbrante, com o casario bem arrumado segundo a topografia irregular da área que precede a praia e o Indico como pano de fundo!
Maputo, 15 de Novembro de 2004
Celestino (Marrabenta)
Escrito por Jose Bentes às 11h52
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